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Quem quer que seja o presidente, existe uma “Agenda Imprescindível” para o Brasil.

há 4 minutos
4 min de leitura

Publicado no Pipeline/Valor Economico em 25 de outubro de 2026


Nestas eleições de 2026, os dois candidatos do segundo turno faltaram aos debates do primeiro turno e não apresentaram planos. Olham apenas para o passado, e não nos oferecem uma esperança de prosperidade.


Os partidos políticos viraram negócios, com receita garantida pelo fundo partidário e pelas emendas ao orçamento. Prestam contas à Justiça Eleitoral, mas quase nada à sociedade.


Brasília está encastelada pelos auspícios de figuras como Daniel Vorcaro que, competente para se infiltrar nas esferas do poder, segundo as investigações, tentou corromper parte substancial e relevante dos três poderes.


A “Agenda Inadiável” que o Derrubando Muros, iniciativa da sociedade civil de que participo, levou ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, num encontro de 4 horas, nasceu da esperança do que poderia ser um governo de reconstrução nacional, com o arco democrático de apoio que o presidente Lula recebeu. Era um conjunto de propostas de especialistas nas áreas de educação, saúde, segurança pública, economia verde, ambiente e clima, indústria do futuro, empreendedorismo, inovação, energia, digital, economia e geopolítica.


Os últimos 4 anos foram frustrantes, pois pouco avançamos em áreas críticas de nossa agenda. Tivemos algumas exceções louváveis, como a aprovação do novo modelo tributário, a drástica redução do desmatamento, e o fato extraordinário de sairmos do Mapa da Fome. Esse balanço nos levou a propor uma “Agenda Imprescindível” em 2026, de pontos que não podem esperar. Acreditamos que é necessário colocar metas e senso de urgência para o Brasil conseguir chegar no século XXI, que segue implacável numa corrida de potências pela hegemonia da inteligência artificial.


Nossa agenda propõe, entre outras metas, dobrar a renda real dos brasileiros em 15 anos, reduzir em 50% a pobreza até 2035, universalizar a alfabetização plena até os 8 anos, eliminar as filas para consultas e exames especializados na saúde, e reduzir em 50% os crimes violentos contra a pessoa. Traz também metas para a política e para o futuro: vincular os fundos partidário e eleitoral a critérios públicos de transparência, e posicionar o Brasil entre os principais ecossistemas de inteligência artificial até 2035.


A pauta dos próximos 4 anos precisa passar pela reconstrução de todas as instituições que apodreceram ao vivo pela televisão ou no escurinho dos celulares do Vorcaro. Agora, com as investigações, esse apodrecimento está ganhando luz.


Em 2022, queríamos defender a democracia de um autogolpe de Estado, e hoje queremos defender a democracia das suas próprias instituições.


Continuo convicto de que, fora da política, não temos salvação. Continuo convicto de que tanto a separação como a independência dos 3 poderes são essenciais, assim como o sistema de freios e contrapesos que previne o desequilíbrio entre esses poderes.


No momento em que este texto é publicado, uma polarização intensa continua a nos dividir. No entanto, isso deveria ser irrelevante, porque somos um só povo, que quer o melhor para seu país. Se você estava de verde e amarelo porque queria expressar o seu patriotismo, se você estava de vermelho porque acreditava que existem batalhas fundamentais a serem vencidas para que sejamos uma nação justa e democrática, se você estava de branco (ou talvez preto) porque não se sentia representado por nenhum dos candidatos, nada disso importa depois das eleições, porque somos um único povo, e todos desejamos um futuro melhor para o país que tanto amamos.


Sempre lembrando que o novo governo, que sairá das urnas hoje, terá não mais do que metade do eleitorado.


O impacto das redes sociais e da IA pode ser tão catastrófico que é preciso parar e repensar todos os processos da democracia para preservá-la. A comunicação, base do progresso humano, está truncada e aprisionada. Vou dar um exemplo: o tempo de TV perdeu valor em campanha política para as redes sociais, mas é a forma mais igualitária/homogênea de informação.


Logo, eu me pergunto:


- Não deveria ser obrigatório que candidatos participassem de debates?

- Não deveria ser proibido fazer cortes de debates de candidatos, ou mesmo de sessões do Congresso, de modo a evitar que esses cortes gerem frases fora de contexto, e tornem o debate público manipulável?

- É razoável fazer eleições majoritárias, ou seja, para cargos no Poder Executivo, junto com as de parlamentares (Poder Legislativo), de modo que a eleição de senadores e deputados deixe de ocupar um posto de irrelevância na cabeça do eleitor?

- É razoável que empresas privadas estrangeiras decidam que mensagens circulam em um período eleitoral em outro país?


Responder perguntas como essas é essencial e urgente para a manutenção do Estado democrático de direito.


No fim do dia, a cacofonia das redes sociais torna o debate raso. Dos 513 deputados federais eleitos em 2026, 39 têm mais de 1 milhão de seguidores no Instagram (Agência Câmara, 7/10), e os dez deputados mais votados estão no topo dessa lista. Em breve , nesse ritmo,todo o Congresso será composto por “influencers”, o que não qualifica ninguém para a arte de parlamentar, ouvir e fazer política.


As pesquisas mostram que a população quer liberdade para empreender e prosperar, ao mesmo tempo em que espera do Estado um suporte que garanta saúde, educação, segurança e uma rede social aos necessitados.


Isso é demais? Não é. É totalmente possível se houver união nacional em torno de uma agenda comum como a “Agenda Imprescindível” (www.derrubandomuros.org), com metas claras e mensuráveis.


Assim como escrevi em um artigo publicado nesse Pipeline no dia 30/10/2022, não importa quem se sentará na cadeira de presidente em janeiro de 2027 pois, passada a eleição, só existe um objetivo: trabalhar em conjunto pelo bem do país.


O único caminho possível é o da política, e da nossa capacidade de debater e respeitar a opinião de todos, desde que estejam em concordância com a Constituição e com o respeito ao Estado democrático de direito. Que o novo governo, seja quem for eleito, tenha a capacidade de unir essa Nação tão dividida em uma agenda de prosperidade. O primeiro passo: convidar quem perdeu para trabalhar junto.






 
 
 

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