O AVESSO DA PELE

Tanto se fala do racismo nos dias de hoje mas aprendi com meu filho Mateus e ouvindo gente como Ermicida que racismo não pode ser compreendido através de conceitos mas precisa ser vivido

Faz sentido afinal o mesmo acontece com paternidade ou a dor do parto que não podem ser entendidas sem passar pela experiencia.

Vovo Flora foi minha avo negra talvez isso seja algo que hoje seria visto como parte do racismo mas havia tanto amor entre nós e a influencia da bondade dela em toda a minha familia que tem que estar do lado bom da historia.

Vovo Flora foi a minha avo mais doce e amada ainda hoje tem um lugar especial em mim.

O AVESSO DA PELE livro recém-lançado pelo doutorando JEFERSON TENÓRIO tem um grande mérito da narrativa que leva o leitor a experimentação.

Jefferson ao descrever a vida de persongens negros em primeira pessoa no contexto do cotidiano faz com que o leitor entre em uma realidade virtual se tornando quase um avatar.

Deixo aqui um paragrafo esculpido por Jefferson e recomendo a leitura para quem se importa.


“A gente se acostuma quando você caminha na rua e as pessoas recolhem as bolsas e mochilas, a gente se acostuma quando os próprios homens preferem as negras mais claras, a gente se acostuma a ser só. A gente se acostuma a chegar numa entrevista de emprego e fingir que não percebeu a cara desapontada do entrevistador. Mas não estou reclamando, porque com o passar dos anos eu aprendi a me defender bem. Aprendi a inventar estratégias de sobrevivência. Seu pai também teve de inventar estratégias. Mas isso não significa que sejamos sempre bem-sucedidos. Quero dizer que nós, às vezes, falhamos. E falhar, no nosso caso, pode resultar num erro fatal. Ainda assim, Pedro, ainda assim a gente segue. O que você tem que compreender é que os homens negros sofrem suas violências. E que as mulheres negras sofrem outras. Algumas são parecidas.”


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