Em 1997: Dra Doudna, Steve Jobs e Maharishi iluminaram o caminho



Chegamos em Amsterdã naquele dia de setembro de 1997. De carro, fomos para a fronteira da Holanda com a Alemanha, para um palácio do século XVII que tinha sido doado pela Rainha para o Maharishi Mahesh Yogi.


Aos 79 anos, o matemático / físico indiano, famoso por ser o guru dos Beatles, tinha estabelecido ali uma Universidade para o estudo dos escritos do povo que habitou a Índia há mais de 7.000 anos. Os escritos do povo que deu origem ao Vedas estão em sânscrito, e pode-se encontrar neles um conhecimento impressionante, inclusive sobre o corpo humano ao nível celular.


À primeira vista, aquilo parecia mágico e pouco crível. Porém, uma questão não quis calar: Como pode um povo primitivo, de 7.000 anos atrás, ter esse tipo de conhecimento?


Primeiro, cabe dizer que 7.000 anos é “ontem”, dentro da régua do tempo desde o “Big Bang”, quando nosso universo foi criado, há 38 bilhões de anos. Sendo assim, não seria muita pretensão nossa desprezarmos ou duvidarmos do conhecimento de um passado tão recente?


Segundo, tudo no Universo é parte de um todo, e as respostas estão disponíveis - às vezes, onde menos esperamos. Portanto, não podemos esquecer que a observação é, historicamente,responsável por grandes descobertas científicas. Método de observação e rigor estatístico nos permitem desvendar o que o Universo nos descortina a todo momento.


Naquele fim de semana, o guru recebia ali 2.000 pessoas, que aprenderam a meditar com seu método, chamado de TM (“Transcendental Meditation” ou meditação transcendental). Essas pessoas encontraram, na prática da TM, uma forma de buscar uma maior consciência da integração do indivíduo com o coletivo universal. O valor daquela universidade e seus livros era algo secundário para aquele grupo que estava ali para honrar o Mestre.


Naquele mesmo momento, depois de 12 anos afastado, Steve Jobs voltou a ser o CEO da Apple, com o apoio da Microsoft de Bill Gates, iniciando a real democratização digital. A revolução dos “bits and bytes” foi possível na medida em que equipamentos simples chegaram nas mãos dos seres humanos comuns, e as pessoas puderam, de forma fácil, criar aplicativos que conectaram potencialmente toda a humanidade.


A conexão cósmica que nos liga a tudo e a todos agora tinha uma materialização clara. A humanidade, com celulares nas mãos de bilhões de pessoas, está interligada em uma rede, tornando possível tangibilizar melhor a verdadeira rede que sempre existiu.

Hoje, inclusive, celulares com determinados apps ajudam pessoas a meditarem e a transcenderem, confirmando a hipótese de que o homem se integrou ao processamento digital, numa simbiose perfeita.


Toda essa jornada é muito mais difícil para nós, que somos os povos dos Livros, e muito mais fácil para a maior parte da humanidade que habita o Oriente, onde os Vedas estabeleceram os princípios das crenças fundamentais.


Também no final da década de 90, uma cientista em Yale, chamada Jennifer Doudna, liderava um estudo sobre o RNA (considerado, até então, algo secundário em relação ao DNA), que resultou na publicação de um artigo, no qual a estrutura RNA estava sendo apresentada pela primeira vez. Dra. Doudna declarou :

“Esperamos que nossa descoberta ofereça pistas que nos permitam saber como modificar a ribozima, para que ela possa consertar genes defeituosos.”


“ … uma possibilidade é que possamos curar ou tratar pessoas que têm defeitos genéticos.”


O que estávamos assistindo, no final dos anos 90, era a consequência de descobertas dos anos 50, quando matemáticos como Alan Turing demonstraram que toda a informação poderia ser codificada por meio de números binários, lançando a base para os códigos digitais, e a revolução dos computadores.


Nesses mesmos anos 50, biólogos como Watson e Crick descobriram o que os autores dos Vedas sempre souberam: o DNA contém as instruções para criar as células, em qualquer forma de vida, numa sequência de apenas 4 letras. A humanidade dava passos para desvendar o código da vida.


O nosso tempo na Terra é curto e voa. Em 2002 surgiu na China uma síndrome respiratória aguda grave, chamada SARS. Muitos vírus são compostos de DNA, mas este tinha pedaços de RNA. Na “pista”, no estudo, e na observação científica, dois artigos, publicados em 2013 na revista “Science”, mencionavam que, ao longo da história, alguns organismos não humanos desenvolveram meios de usar o RNA para combater o vírus. O chamado RNA de interferência tem uma enzima, e essa enzima consegue cortar parte do RNA em pequenos pedaços. Esses fragmentos podem permitir que haja um processo de edição, como “cut and paste”, a nível celular.


Em 2003, um cientista espanhol, chamado Francisco Mojica, descobriu que bactérias têm sistema imunológico que permite lembrar quais vírus as atacaram no passado. Ele observou que, quando novos vírus surgiam, as bactérias sobreviventes conseguiam incorporar parte do DNA do vírus, e assim criar uma imunidade adquirida em sua descendência. Esse sistema de defesa foi denominado CRISPR, que funcionava por meio do RNA de interferência citado acima. As bactérias conseguiam interferir nos RNAs mensageiros, que são responsáveis pelo transporte de instruções codificadas pelo DNA.

O CRISPR pode, por exemplo, editar o gene, tornando as células T de um ser humano mais eficientes para matar células cancerígenas.


Estava aberta a caixa de Pandora. Assim como na computação, vimos acontecer, na biologia, uma corrida para desenvolver aplicativos para uso do CRISPR, biohackers, e todo o roteiro que estamos acostumados a ver no mundo do software.


Em 2020, por causa da Pandemia do COVID, a tecnologia do CRISPR foi testada em total stress, pela necessidade de se achar uma vacina contra o virus. A Dra. Doudna liderou uma equipe que, usando o conhecimento do uso do RNA, chegou rapidamente a soluções para detectar o vírus, e criar uma vacina com base no RNA mensageiro. Essa vacina permite introduzir, no DNA humano, a capacidade de neutralizar o vírus, exatamente como a observação das bactérias nos ensinou.


Evidentemente que estou sintetizando um longo processo, que envolveu décadas de trabalho de diversos cientistas, em todo o planeta, pesquisando em conjunto, colaborando e até se rivalizando para chegarem nesse ponto. Hoje sabemos que existe uma maneira de reprogramar o código da vida.


Mais uma vez foi comprovado que todas as respostas estão na natureza.


Naquele dia, em 1997, fomos levados para meditar em um lugar especial dentro do Palácio. Foi imensa a nossa surpresa quando assistimos algumas pessoas levitarem, no chamado “Voo Yoguico” (vídeo abaixo). Não havia nada de místico ou religioso naquele lugar, apenas o método científico, com base na observação dos fenômenos e no rigor estatístico, para ler o livro do Universo.




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