A mãe de todas as batalhas.


A Humanidade "nasceu" na Africa e, por esta razão, lá encontramos a maior variedade e diversidade de DNAs. Algumas poucas tribos migraram para fora do continente, dando origem a todos os demais povos, do europeu ao japonês. Cientificamente falando, existe muito mais proximidade genética entre um alemão e um japonês do que, eventualmente, entre uma tribo da África do Sul e outra da Tanzania.

A experiência humana fora da Africa ainda constitui uma grande saga. Essa deve ser a explicação para o fato de que a Bíblia, escrita no deserto do Oriente Médio, descreve o Eden, com um certo saudosismo , com a exuberância da flora e fauna típicas das florestas tropicais africanas.

Tudo o que chamamos de civilização - nome inapropriado, obviamente, foi desenvolvido no hemisfério norte. Enquanto na Africa o Homem sempre esteve integrado com a natureza, em perfeita comunhão e harmonia com as leis naturais, no hemisfério norte o ser humano teve que inventar conceitos e ferramentas para sobreviver fora do seu habitat natural.


Toda a tecnologia desenvolvida pela humanidade foi adaptada para a vida acima da linha do Equador. Quando os europeus "desceram" em massa para abaixo do Equador, acarretaram um caos, que levou ao desarranjo de civilizações e comunidades.

O Brasil, pela sua posição geográfica, tem como parte da sua historia o advento da destruição dos povos originais, principalmente por doenças, e as dificuldades do europeu em sobreviver às doenças tropicais desconhecidas. Werner Herzog, diretor alemão, sintetizou o drama do europeu na região em seu filme “Aguirre, a Cólera dos Deuses”.


Em 1920, companhias de turismo europeias clamavam em suas propagandas: “Conheça Buenos Aires, a mais prodigiosa cidade das Americas, sem passar pelo porto insalubre do Rio de Janeiro.”


Não posso esquecer quando, na escola primária no final dos anos 60, tive que assistir aulas sobre doenças e sua prevenção. Aquilo era assustador. Eram tantas doenças com efeitos devastadores, que uma criança como eu tinha pesadelos com as fotos de "papeiras" (cachumba), coração atacado pelo mosquito barbeiro, o aspecto de alguém com febre amarela, e tantas outras.


Carioca, morei nestes anos em São Paulo, que era uma cidade muito fria, tão fria que não tínhamos geladeira - colocávamos a gelatina do lado de fora da casa e, na manhã seguinte, estava endurecida.


Essas memórias da infância simples, em um país que se urbanizava, são sempre doces para mim. Assistir televisão e falar no telefone eram possíveis, em muitos casos, apenas quando um vizinho permitia - isso no tempo em que a solidariedade era mais presente.

As coisas nao eram tão acessíveis, mesmo para a classe média que ascendia nos anos do milagre brasileiro. Porém, guardo na memória, com extremo carinho, imagens da fila da vacina. Minha mãe, com seu casal de filhos - como ela dizia, era o número de mãos que podia segurar, na fila dos postos de vacinação, onde encontrava mulheres de todas as classes sociais, irmanadas naquelas demoradas filas. Lembro da conversa longa que as entretinha. Mulheres com a convicção firme de que estavam ali para um ato de amor extremo: vacinar seus filhos. Tinha sempre um mimo, mesmo que fosse só uma bala Juquinha, depois do chororô da vacina. Campanha de vacinação era regular, imperativa, e responsabilidade de todos.


Não me espanta que, numa pesquisa feita agora em 2021 em 15 países, o Brasileiro seja o povo que mais deseja ser vacinado contra a COVID. Segundo o gráfico abaixo, 89% dos brasileiros quer tomar a vacina, número superior ao observado em países mais desenvolvidos.

Vacinação, no Brasil, é sinônimo de amor de mãe.




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